Empresa fraudava notas fiscais para justificar compra de ouro ilegal, diz PF

A Superintendência da Polícia Federal no Amapá detalhou na tarde desta quarta-feira (8) como acontecia o esquema ilegal de compra e contrabando de ouro em vários estados, entre eles, o Amapá, onde estão a maioria das ações da operação Crisal, deflagrada no início da manhã em três estados. São Paulo e Pará também tiveram mandados cumpridos.

A PF informou que a empresa Ouro Minas, investigada no caso, fraudava notas fiscais da compra de parte do produto extraído ilegalmente de garimpos no Amapá e outros estados. O objetivo era driblar as normas exigidas na lei para aquisição e transporte do ouro, conseguindo assim, evitar o pagamento de impostos e garantindo o rápido acesso ao minério.

Juarez Silva, um dos diretores da empresa, foi preso em São Paulo na sede da instituição. Outra prisão aconteceu em Oiapoque, ao Norte do Amapá, onde o empresário Saimon Batista foi detido. O gerente da empresa em Macapá, Gilson Cohen, e um agente da própria PF foram conduzidos coercitivamente para prestar depoimento na capital amapaense. Ao todo, são seis prisões temporárias, 13 conduções coercitivas e 28 mandados de busca nos 3 estados

“Atuava em minas no Amapá, Pará até o Mato Grosso. Um avião passava por cidades para buscar esse ouro até chegar a São Paulo. As notas eram falsificadas, ou os locais de lavra [extração] eram ilegais, inseriam nomes de pessoas que não faziam coletas, colocavam nas notas valores menores de ouro do que realmente era comprado”, descreveu Raimundo Freitas, superintendente da PF no Amapá.

Durante as investigações do caso, que iniciaram em 2013, os agentes chegaram a encontrar 70 quilos de ouro sendo transportados irregularmente. A estimativa da Polícia Federal é de que os envolvidos chegaram a movimentar até 180 quilos do minério por semana. A Ouro Minas teve R$ 100 milhões em bens bloqueados a mando da Justiça Federal.

O advogado Maurício Pereira, que faz a defesa da Ouro Minas, do empresário preso em Oiapoque e dos representantes da empresa em Macapá, comentou que houve um equívoco nas ações da PF. Ele disse que ainda não teve acesso ao processo, e por isso não comentaria as afirmações da polícia.

“Não tive acesso a esses autos, há mais de um ano estamos pedindo vistas do processo que está tramitando no Oiapoque. A empresa vinha sabendo que estava sofrendo uma investigação, e, por conta dela, sofreu pedidos de quebra de sigilo bancário. Tivemos liminar para que a Justiça nos fornecesse cópias do processo, mas não forneceu”, falou.

O superintendente da PF acrescentou que ainda não foi possível determinar a quantidade de ouro comprado de forma ilegal, e nem mapear a regularidade em que era extraído.

“Foi uma fase da operação desencadeada hoje, mas tem muitos elementos que serão investigados ainda. Muito material foi apreendido, os agentes observaram muitas situações in loco onde ocorreu essa atividade ilegal”, pontuou Freitas.

Em Macapá, foram cumpridos cinco mandados de condução coercitiva e três mandados de busca e apreensão. O agente da PF detido foi indiciado por repassar informações sigilosas da investigação. Na cidade de Oiapoque foram seis conduções coercitivas, um mandado de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão.

Os envolvidos no caso podem ser enquadrados nos crimes de contrabando, lavagem de dinheiro, organização criminosa e usurpação de matéria-prima da União. Ainda de acordo com a PF, o nome da operação Crisal é por causa do instrumento, que é usado na fundição de metais.

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