O Retrato da Vida (video)

Oi gente, um forte abraço. O nosso último texto foi “O boiadeiro e a gaita encantada”. Daremos hoje uma sequência a esse texto. Veja a nossa nova mensagem.

Em um pequeno quarto branco e arejado de certa casa de repouso em um condado do Texas, dois irmãos sentados em torno de uma mesa relembram o passado, enquanto aguardam com morosidade o epílogo de suas vidas. Naquele quarto de número dezenove, dois velhos solteirões em seus oitenta e tantos anos descansam seus corpos cansados, que por décadas viveram no lombo de um cavalo, viveram várias histórias, fizeram história, e se tornaram a própria história.

Marlon e Antony, remanescentes da tropa de boiadeiros mais famosa de todo o Texas, a tropa de Scott, boiadeiros tão competentes que, com apenas alguns homens chegavam a transportar centenas de bois em uma única viagem. Eram destemidos habilidosos, se acontecia da boiada estourar, não era necessário mais do que dois homens para controlá-la e colocá-la novamente na rota. A tropa de Scott fez história e com seu fim repentino acabou também se tornando história, por que não um grandioso cânone?!

Na casa dos idosos hoje uma nostalgia paira por todo o recinto, as pessoas contam e recontam umas para as outras momentos gloriosos e saudosos de seus respectivos passados. Ressaltando que era dia dos pais. De repente, um carro para em frente ao portão de entrada e dele descem dois homens bem vestidos, com objetos nas mãos e chapéu na cabeça. São atendidos pelo zelador:

– Pois não Srs. Em que posso ajudá-los?

– Bom dia, gostaríamos de conversar com o diretor desta instituição, ele se encontra?

– Vou verificar, entrem e sintam-se a vontade, eu volto logo.

– Agradecido. Vamos aguardar.

Instantes depois, o zelador volta acompanhando do diretor, que os convida para sua sala. Acomodados, os visitantes então se apresentam:

– Meu nome é Stuart e esse é o meu amigo Sr. Kennedy, somos repórteres da West Films, empresa cinematográfica. Viemos de muito longe e estamos procurando por uma história, uma boa história e soubemos que parte dela se encontra aqui.

– Amigos, por favor, sejam mais específicos.

– Procuramos por dois homens que integraram parte da tropa do Senhor Scott, dois de seus filhos para ser mais exato.

O diretor do asilo fica espantado. O repórter ao ver a reação indaga:

– Imagino que já tenha ouvido falar dessa tropa tão famosa que virou lenda na região do Texas, não é mesmo?

– Ora! Mas é claro que já, todos já ouvimos, o que me surpreende é ouvir que dois daqueles destemidos boiadeiros estão aqui.

– Então o senhor não sabia? O objetivo de nossa visita aqui é entrevistá-los, saber tudo sobre esses tropeiros que conduziram boiada por mais de quarenta anos, pois queremos fazer um filme e contar a historia de um ângulo que as pessoas não conhecem.

– Vocês saberiam me dizer os nomes que procuram?

– Com toda certeza, nossas fontes nos disseram que aqui se encontram Marlon e Antony.

Ao ouvir os nomes o zelador reconhece e diz:

– Eles estão no quarto 19, vou chamá-los.

Pouco depois, entram na sala Marlon e Antony. O diretor os convida a se sentar e acrescenta:

– Estes senhores vieram aqui à vossa procura e tem algo a lhes dizer.

E Marlon redargui:

– Pois bem senhores, aqui estamos, poderiam nos dizer a que devemos a honra de vossa visita?

– Bom dia, Sr. Marlon e Sr. Antony, meu nome é Stuart e este é meu amigo Sr. Keneddy, trabalhamos para a empresa cinematográfica West Films e estamos aqui hoje a pedido de nosso chefe, que gostaria de tornar suas vidas um filme, e para isso nos deu todo tempo necessário para que possamos resgatar a vossa historia. A tropa de Scott deixou no Texas um legado para muitas gerações, e se nos permitirem, queremos poder eternizá-los mais um pouco, fazer com que futuras gerações também ouçam essa história, ou melhor ainda, vivam essa história através das lentes mágicas do cinema.

As palavras do repórter tocam profundamente os irmãos, estes choram felizes e muito emocionados ao saber que eram lembrados e ainda por cima se tornariam algo tão grande e teriam sua história conhecida pelas gerações futuras.

Depois de se recompor, respondem aos repórteres:

– Senhores, é para nós uma imensa felicidade contar nossa história, ficaremos honrados em aceitar.

– Esplêndido! Quando podemos voltar para darmos início às entrevistas?

– Meu filho, se existe algo que um homem de idade avançada gosta é de contar histórias, se não for incômodo podemos começar agora mesmo.

– Ora, mas isso é ótimo! Começaremos neste exato momento!

O diretor fica entusiasmado e profere:

– Se me permitem, gostaria de acompanhar a entrevista, essa é uma história que eu gostaria de ouvir, além do mais sendo contada pelos próprios protagonistas.

– Ora meu caro, mas que problema? Aliás, que tal reunir todos que residem aqui para que também possam ouvir? Aposto que gostariam.

– É uma ótima ideia.

O diretor pede então para que o zelador organize os idosos no salão principal, de forma que todos fiquem acomodados.

– Como já é quase meio dia, vamos primeiro servir o almoço, depois daremos uma pausa e então as entrevistas podem ser feitas.

E assim foi feito, todos almoçaram no grande salão da casa, inclusive os repórteres por pedido do diretor. Findada a refeição, no centro da sala, são colocadas quatro poltronas para os irmãos e os repórteres. Os homens de terno e gravata, gravador, caneta e papel iniciam então seu trabalho.

– Primeiramente, eu gostaria de saber quantos boiadeiros dessa tropa ainda vivem.

– Somos em apenas três sobreviventes, nós dois e o Silver, nosso outro irmão, que mora no sertão, com Cássia sua esposa, que, aliás, também foi boiadeira conosco por muitos anos. Eles moram num casarão de madeira ao lado de um ranchinho de sapê onde a irmã de Cássia reside com seu esposo e filhos.

– Quantos anos tem o Silver?

– Se não me falha, ele está com oitenta e dois. – responde Antony.

– Entendo… e é verdade que em todos os rodeios que se realizaram na região do Texas vocês ganharam todos os prêmios de primeiro lugar, em todos que participaram Sr. Marlon?

– Sim, nunca perdemos um prêmio. Eu ganhei seis troféus, o Antony aqui ganhou cinco, o Nero que era o mais forte de nós ganhou quatro, Steve ganhou oito; tenho grandes saudades dele, vivia arrumando briga, nunca vi tanta facilidade em arrumar confusão, mas era um bom rapaz, caráter inabalável, às vezes se desentendia com alguém, ficava muito irritado, mas meia hora depois vinha de cabeça baixa pedir desculpas, era um ótimo rapaz! Ah, ele também gostava muito de nossos cavalos, ficava muito triste quando via algum tropeiro utilizando esporas, dizia que aquela estrela feria os animais, ele as chamava de estrelas malditas. Nunca vimos Steve chicotear um animal, todos os demais tropeiros usavam um reio, mas ele nunca usou, estava sempre alisando o seu tordilho negro. Steve era bem temperamental, mas tinha o coração do tamanho de um boi, acho que por isso que Deus o levou primeiro, é mais como uma recompensa sabe? A hora de partir, de descansar.

Depois de alguns segundos de silêncio, aéreo em suas nostálgicas lembranças Marlon prossegue:

– E o Robert que era o galã da tropa ganhou nove troféus. Ah o Robert! Arrasava corações, tinha uma destreza de causar inveja, mas um defeito terrível ,brincava com o sentimento das mulheres, e dizia sempre que não se casaria nunca, isso por causa do assédio que recebia destas, no entanto, no fim das contas, estava apenas iludindo a si mesmo; se enganou um dia, caiu no laço de uma rosa em botão, uma linda morena dos cabelos negros e longos o laçou, o galanteador e irresistível boiadeiro que vagava pomposo, intitulado entre as formosas mulheres, o mais bonito e viril de todos! Esta rosa o enlaçou! Um ano depois estava casado, ele, o Robert, segundo melhor boiadeiro da Tropa. Já o velho Scott nunca montou em torneios, dizia que a honra teria que ficar com os demais peões e não com ele. Ainda não vi um homem como o meu pai, a bondade chegou ali e parou, ah que saudades que eu tenho do meu velho! Mas, continuando, o Silver ganhou treze troféus, era um excelente tropeiro igual a ele acho que nunca mais aparece, era um rei montado em cima de um cavalo, seu berrante falava com os bois, sua gaita emocionava as pessoas, era conhecido como o boiadeiro da gaita encantada, creio que ele foi e sempre será o melhor boiadeiro da região do Texas, será sempre lembrado quando o assunto for boiada.

– Você citou vários nomes, estes eram todos os boiadeiros da tropa?

– Sim, nós éramos em sete: meu pai, três irmãos e três primos, que eram filhos do irmão de meu pai, mas terminamos a tropa com oito integrantes, sete boiadeiros e uma boiadeira que era Cássia, a esposa do Silver.

– Qual foi o motivo da parada dessa tropa que reinou por mais de quarenta anos, por que todos pararam juntos e nenhum tropeiro quis entrar em outra tropa?

– O motivo foi o peso da idade Sr. Stuart, o tempo levou embora o nosso vigor físico, o tempo passa e nos envelhece, leva embora a nossa agilidade e nos deixa lentos e cansados, esse é o retrato da vida. Sr. Stuart, Sr. Keneddy, façam uma visita em cada quarto desse asilo, olhem na varanda, olhem pelos corredores e vejam quantas pessoas estão aqui que já foram belas e formosas, cheias de vitalidade e hoje estão velhinhas e aqui estão sob o cuidado de outros, não podem mais cuidar nem de si mesmos. Com a nossa tropa não poderia ser diferente, éramos, com exceção do meu pai, todos da mesma faixa de idade, o caçula era Silver, quando começamos a tropa ele tinha dezoito anos e o mais velho era o Steve com vinte e quatro anos de idade, todos os peões envelheceram juntos e nós começamos a perceber que a hora de parar estava chegando, foram mais de quarenta anos de glória. O meu pai era um homem muito sábio e um dia após ter deixado uma boiada na fazenda América ele nos reuniu ali no rancho dos boiadeiros e nos disse que tinha algo para nos dizer. Essas foram suas palavras:

– Meus queridos tropeiros, meus filhos, vocês não podem imaginar o quanto eu vos amo e é com um aperto no coração que lhes direi isto. Por mais de quarenta anos de glória e de emoções temos conduzido bois por esse sertão sem fim, mas vejo que esse é o momento de parar, o tempo é implacável, ele não poderia parar pra nós também, ficamos velhos e cansados e com a idade que já estamos corremos o risco de uma hora ou outra sermos massacrados pelos bois que conduzimos. Quantas vezes já não nos machucamos feio, caindo, quebrando costelas, é um trabalho recompensador, porém árduo, já estamos estabilizados, só nos resta pendurar nossas tralhas e dizer um adeus para o sertão e nossos cavalos, foi uma jornada formidável e o descanso é mais que merecido.

– Essas foram as palavras de meu pai, ouvimos de cabeça baixa e concordamos com ele, já tínhamos percebido que a hora de parar havia chegado e cada um tomou um rumo na vida, só Silver ficou no sertão, e assim a nossa tropa foi extinta.

As palavras de Marlon emocionava a todos que ali estavam, e, novamente o Sr. Keneddy pergunta para os irmãos:

– Os senhores têm ainda em suas vidas algum sonho para se realizar?

– Senhores, quando a gente deixa de sonhar com algum objetivo na vida então já estamos mostrando para o mundo, para as pessoas os primeiros sinais da morte. Eu e meu irmão temos sim um grande sonho, nos nossos oitenta e poucos anos uma única esperança, e é por esse sonho que peço a Deus todas às noites, que é poder ainda rever o Silver lá no sertão e terminar nossos dias junto dele.

A comoção toma conta do ambiente, as palavras de Marlon faz com que todos ali se lembrassem de algo que queriam, algo que sonhavam, ou que ainda almejavam, ninguém queria dar os primeiros sinais de que estava partindo, como Marlon citou.

A dupla de repórteres e o diretor estão emocionados. Os três pedem licença por um momento, saem da sala e vão até o corredor e o Sr. Stuart diz ao diretor do asilo:

– Nós podemos tirá-los daqui, podemos levá-los para o sertão, é quase nosso caminho de volta, teremos apenas de fazer um leve desvio. O senhor não autorizaria que os levássemos?

– Como eu poderia impedir esse sonho tão almejado de dois idosos com mais de oitenta anos? Eu estaria cometendo uma maldade irreparável, os senhores tem toda liberdade para levá-los ao encontro do irmão, se eles aceitarem é claro.

Os três voltam ao salão, e o repórter continua:

– Senhores, arrumem as malas e peguem todos os vossos pertences que vamos levá-los até o sertão ao encontro de Silver.

Os dois boiadeiros se abraçam e não contêm as emoções e choram como duas crianças, depois abraçam os repórteres e por último o diretor, a comoção era demais, ninguém se conteve, todos choraram.

No dia seguinte ao romper da aurora os irmãos se despedem de todos frente ao portão, com malas na mão e um berrante nas costas. O carro sai rumo ao sertão, ao encontro de Silver. Fazem algumas paradas pelo caminho, para comer, para descansar, os repórteres não tem pressa de chegar, vão filmando as belezas do sertão.

O sol já está se pondo quando o carro atravessa a ponte e para na entrada do carreador a pedido de Marlom e Antony. Os quatro seguem a pé na estradinha que os levará até o casarão onde mora Silver, ao lado do ranchinho de sapé à cinqüenta metros eles avistam o casarão. Já está escurecendo, uma brisa fresca e pura avisando que a noite chagara, avista-se uma rala fumaça saindo pela chaminé, o fogão de lenha está acesso, a janela e a porta da cozinha estão abertas, e, ao longe se pode ver o clarão do fogo. A cada passo a sensação é de que o caminho aumenta ainda mais, e ao mesmo tempo as pernas parecem ganhar o vigor de outrora; e o passado torna-se presente, a respiração fica ofegante; a saudade de um passado de muitos anos inunda a mente dos irmãos, os dois se ajoelham e Marlon leva o berrante à boca e o aponta para o céu, em forma de agradecimento à Deus, e mesmo com o peso da idade em seus ombros, sopra o instrumento de tantas glórias com a alma. Tão grande era a emoção que os envolvia que o peso da idade já não lhes importavam mais. Com o barulho, Silver espantado olha pra frente e vê quatro homens, sai apressado ao encontro daquelas pessoas e se depara com Marlom e Antony de joelhos no seu terreiro, fica pasmo, quase não crê que seus irmãos estão bem a sua frente, a cena lhe deixa emocionado, ele se joga de joelhos, os três se abraçam e choram como crianças. A cena é comovente e emociona os repórteres, nunca em seus muitos anos de reportagem eles tinham presenciado um momento como aquele, Keneddy filmava tudo para mostrar ao seu diretor.

Em seguida, todos seguem rumo ao casarão adentram na sala e enquanto Cássia, sua irmã e sua filha preparam um banquete com as iguarias do sertão para os visitantes, os repórteres explicam tudo para Silver, o motivo de sua visita, a conversa vai longe recheada de risos, e felicidades.

As horas já se foram, mas já sem aquela monotonia melancólica do abrigo; um suspiro de amor com ternura envolve o ambiente. Mas já era tarde da noite e todos vão se recolhendo.

O dia amanhece e todos acordam com o cantar dos pássaros e de uma turminha de galos que desce do poleiro junto com a galinhada. Depois de um café bem sertanejo chegou a hora de dar sequência na história.

Os quatro seguem rumo a estrada, A Estrada Boiadeira, atravessam a ponte e descem até as margens do rio, sentam à sombra do arvoredo, e Silver começa a contar seu trecho da história:

– Essa estrada pela qual viemos foi um dia conhecida como Avenida dos Bois, por mais de quatro décadas nossa tropa levou boiada até a fazenda América. Seu nome porém, foi apagado. Ela deixou de ser A Estrada Boiadeira ou Avenida dos Bois dois anos após o fim da tropa, Sr. Elton faleceu e os herdeiros lotearam a fazenda em chácaras. A estrada foi praticamente abandonada, aqui debaixo desse arvoredo eu passei os momentos mais felizes da minha vida; enquanto os peões desfolhavam o baralho em uma jogatina de poker na hora do descanso, eu descia aqui e tocava a minha gaita, e foi aqui tocando-a que conheci o único e grande amor da minha vida. Lembro-me como se fosse ontem. Era 17 de abril, onze horas e alguns minutos; lembro-me como se fosse ontem.

Silver fica nostálgico, Antony então chama a todos para irem conhecer o Rancho Boiadeiro. (Esse é o momento mais esperado por Marlom e Antony).

Os quatro sobem então a estrada e chegam até a pousada de todos os tropeiros que passavam por ali. O rancho está irreconhecível, Marlom e Antony ficam perplexos, estáticos.

– Meu Deus, o que é isso?!

Parte do telhado desceu, na imensa varanda onde os peões comiam está coberto de teias de aranhas, cadeiras quebradas jogadas pelo chão, quartos sem as janelas, sem portas, piso todo quebrado e lá no salão está a mesa, ainda com as cartas amareladas e comidas por traças, espalhadas sobre ela, simbolizando a velha jogatina onde os peões jogavam pôker. Lá na casinha as paredes estão pretas, o tempo não conseguiu apagar a borra da fumaça que subia pela chaminé e se esparramava pelo telhado. O cenário é pavoroso e de tristeza para aqueles que conheceram a beleza daquele recinto. Após um breve silêncio e Silver profere essas palavras:

– Sr. Stuart e Sr. Keneddy, vocês estão vendo o estado desse rancho que foi abandonado há muitos anos? Tudo que resta dele são ruínas e saudades para nós que o conhecemos, assim é a nossa vida. Quando jovens somos fortes, somos dotados de energia, somos frondosos como pés de ipês floridos, mas com o passar dos anos nós vamos definhando bem lentamente, isso talvez para não entristecermos, vamos ficando doentes, velhos e cansados e muitas vezes sendo desprezados pelas pessoas que vão se esquecendo de nós. Esse é o retrato da vida, ninguém pode mudar isso. Esse foi o motivo pelo qual a nossa tropa foi se acabando e chegou ao fim.

Depois das lembranças, da saudade que os peões amargaram naquele momento, e um período triste de silêncio os cinco agora sobem em direção a ponte, entram na estradinha e chegam no casarão. O almoço está pronto, todos comem e o dia se passa, os visitantes vão passar ali no sertão mais uma noite junto com a família. O relógio marcou as horas e surgiu um novo dia, é o momento do adeus, Marlom e Antony ficarão ali com Silver no sertão, o sonho foi realizado, estão felizes. Na hora da saída os três boiadeiros abraçam os repórteres e agradecem:

– Somos gratos por tudo que nos fizeram, nos trazendo de volta ao sertão, sem vocês nossos sonhos jamais seriam realizados, que Deus vos abençoe e os levem em paz para vossos lares.

Os homens de terno e gravata caminham agora em direção ao carro, com a certeza única de que tinham conseguido o que vieram resgatar, uma história que ficaria na lembrança de todos.

– Keneddy, nos meus muitos anos de reportagem eu nunca vi uma história tão emocionante como essa, confesso que estou arrepiado da cabeça aos pés com tantas emoções.

– É meu amigo, eu também fiquei extasiado com tamanha beleza, tenho tudo gravado, nosso diretor vai se emocionar e fazer um belo trabalho com o filme tenho certeza.

Três anos depois a mídia anunciava em todos os meios de comunicação a seguinte notícia: O filme que é intitulado como A Tropa de Scott é vencedor do Oscar, logo após ter se tornado o maior campeão de bilheteria de todos os tempos. A notícia foi ouvida pelo rádio lá no casarão dos boiadeiros, pela família do Silver. O casarão tremeu de tantas emoções por todos ali.

Três meses já se passaram depois da notícia e uma quarta-feira, oito horas da noite Antony chama Silver em seu quarto e diz que não se sente bem, tem febre, e pede por um chá.

O dia amanhece mas Antony não acorda.

Dois meses depois Silver está na cozinha com Cássia e sua filha, são seis horas da manhã estão tomando café quando Marlon chama por seu irmão. Ele vai ao quarto e ouve:

– Silver, nós somos eternos, deixamos um legado pra muitas gerações, mas eu acho que minha hora chegou, estou indo pra junto do nosso pai, quer mandar um abraço pra ele, pro velho Scott?

E antes que Silver tivesse oportunidade de responder, Marlon foi tombando a cabeça e aos poucos sua face foi desfalecendo, até que descansou nos braços de seu irmão. Só resta agora um boiadeiro e uma boiadeira da tropa do Senhor Scott.

E assim caros leitores, chegamos ao fim de um conto dramático, um conto que diz respeito à vida de todos nós, a vida que sem que possamos perceber vai se esvaindo por entre os dedos e não deixa nada além da saudade. O que restará além desta será o legado que construirmos, o melhor de nós que deixarmos aqui, nos tornará imortais nos corações daqueles que nos conheceram.

Um Forte Abraço e até próxima se assim Deus nos permitir! 

Jair Garcia Martins

26/03/2017

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46 Comentários para “O Retrato da Vida (video)”

  1. Salime Zebian

    Jair,este è o texto mais lindo que vc escreveu,muito emocionante,escrito com muita sabedoria. O video muito bem montado,em um lugar muito bonito,com um fundo musical sem comentàrios………maravilhoso! Jair Deus lhe deu um dom ùnico……….o dom de saber escrever! Parabèns,um abraço! SALIME ZEBIAN!

  2. Roberto Aparecido Ferreira

    Fantástico. O VIDEO E O TEXTO!!!

  3. Quenia

    O melhor de todos os tempos. O video parece um filme.

  4. Willians

    Que show!!!

  5. Renato

    Primeira vez que li seu texto e fiquei fã. O video é show

  6. Takeshi

    Sinceramente, preciso conhecê-lo pessoalmente e me certificar de que você existe. Chorei demais…

  7. Yuri

    Arrebentou dessa vez em. video e texto fantásticos

  8. Ulisses

    Grande Jair. Artista nato.

  9. Indio

    Me senti no velho oeste.

  10. Oliver Gogo

    Você é um ator e escritor fantástico, muito bom mesmo!!!

  11. Alvaro Bernardes

    Grande escritor de contos lindos e emocionantes. Video fantástico.

  12. Aroldo Buzato

    Bravíssimo!!!

  13. Sistema X

    Brilhante como sempre!!!

  14. Drieli

    Hiper romântico. Coisa rara hoje em dia. Adorei video e texto.

  15. Francisco Dias

    Maravilhoso. Bravo!!!

  16. George Harison

    Muito lindo!!! Emocionante!!!

  17. Helena Tapie

    Não tenho palavras para descrever esse verdadeiro filme de cinema que descreveu em verso, prosa e video.

  18. Jorge da Capadócia.

    Muito lindo Jairzão. Valeu a pena esperar!!!

  19. Kelly Minogue

    Hoje eu chorei… de emoção lendo essa obra de arte

  20. Larissa Lima

    Muito show de bola!!! Vou postar no facebook

  21. Lori Ogata

    Saudades da Nossa Terra.

  22. Zilda Lopes

    Belo texto, amei de paixão o video também. Você tem o dom de escrever e encantar os leitores que sempre estarão aqui te prestigiando. Continue enchendo as nossas vidas com esse romantismo refinado. Muito obrigado.

  23. Vardemá

    Sempre destruindo os corações apaixonados hein Jair. Parabéns.

  24. Beto Morato

    Não consigo parar de assistir esse video. deu certinho com o texto. parabéns.

  25. Zeila

    Essa história daria um filme de amor muito lindo. aliás, o video está fantástico.

  26. Brigite

    Amei, amei e amei

  27. Nair Leite

    Grande história de amor, muita emoção do começo ao fim, e para terminar um ótimo video para o nosso deleite. Parabéns Jair Padeiro. Continue n os brindando com essas pérolas.

  28. Marcelo Ferreira

    Raridade nos dias de hoje um romance dessa qualidade. Parabéns Jair

  29. Murilo benício

    O que mais gostei foi o vídeo, o texto é ótimo. parabémns

  30. Zeta Hjo

    Lindíssimo o texto e o vídeo. muito bem elaborado .

  31. takahara

    Raridade hoje dia romantismo desse nível. o video parece um cinema gostei bastante, continue essa missão.

  32. Yuata

    Caramba, nunca havia lido seus texto nem visto seus videos, mas, vi todos agora, simplesmente sensacionais. nunca pare de nos presentear com essas pérolas maravilhosas do romantismo . parabéns

  33. Regina Dantas

    Parabéns seo jair, muito bom mesmo. o senhor é um verdadeiro artista polivalente. escreve e atua muito bem.

  34. Jorge Guerreiro

    Amei.

  35. Francisco morato

    Sem palavras…

  36. Brigite Nielsen

    Mandou bem demais… video e texto fantásticos

  37. Dunha

    Caraca, sensacional essa junção de texto e video e musica, Eu não sabia que você além de escritor ator também tocava berrante com maestria. parabéns.

  38. Maicon Wil

    Que forma mais simples de escrever! há muitos anos eu não via alguém que escreve dessa maneira, é realmente uma coisa muito interessante! Não cheguei a ler todo o texto pois é muito grande, e a história não me chamou muito a atenção, mas a FORMA COMO O SENHOR ESCREVE é simplesmente incrível! Coisa única que muito antigamente, digamos assim, uns 50 ou 60 anos atrás se via muito, mas hoje em dia quase não existe mais. Uma forma tão simples e cativante que faz com que a pessoa se sinta a vontade quando lê!
    Meus Parabéns! Continue sempre assim!

  39. Ruan C.

    bela obra! texto incrivelmente inspirador! simples e bem direto! gostei muito da historia, so não concordei com o cara contando a historia e dizendo que o outro boiadeiro era o mais “bonito”, homem não chama outro de bonito kkkkkk mas também, não é uma história dos tempos de agora, né, pode até ser que antigamente as pessoas não tinha esse receio.

  40. Lenita R.

    Bonito texto, e os nomes de cidades e outras por perto são todos reais, fiquei fascinada!

  41. Junior Carlos A.

    Adorei esse video, muito tocante o momento em que o sr caminha pelo pasto e mostra flashbacks de bois correndo… coisa mais linda!

  42. Professora Amanda

    A forma de escrita destas crônicas é um patrimônio da história da literatura, se fossem textos menores eu poderia até utilizá-los em minhas aulas com os alunos do fundamental, por volta da 3 à 5ª série..

  43. Rosenita Abrantes

    Mas que vídeo mais lindo! eu até gostaria de ler o texto mas é muito comprido e minha visão já não ajuda mais a enxergar essas letrinhas, mas olha só! mesmo vendo só o video eu tenho certeza de que a história deve ser muito boa! valeu a pena!

  44. Alberto Carlos

    Textos assim que envolvem tantos diálogos servem para teatro!

  45. seu joao lira

    tenho que aumenta a letra nao sei como faz vou esperar meufilho chega

  46. Maria Cecília

    A coisa que achei mais linda ali foi aquela frase na lápide, emocionante, vou até copiar pra usar, muito linda mesmo.

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