Megatraficante preso no Mato Grosso é de Uraí

A prisão de um dos maiores traficantes de drogas da América Latina resultou em números expressivos no balanço parcial da Operação Spectrum, desencadeada pela Polícia Federal no último sábado (1°). Além da prisão de Luiz Carlos da Rocha, mais conhecido por Cabeça Branca, já condenado há mais de 50 anos de reclusão, a PF apreendeu US$ 4,5 milhões encontrados em uma casa e em um apartamento no Estado de São Paulo e 1,5 tonelada de cocaína. A droga estava armazenada em dois caminhões no Mato Grosso e em um dos entrepostos utilizados pela organização criminosa para o transporte e distribuição do produto.
A operação é coordenada pelo delegado da PF, Elvis Secco, que atua em Londrina. Durante os quase dois anos de investigação, as equipes da PF conseguiram mapear a logística do grupo responsável pela entrada de, aproximadamente, cinco toneladas de cocaína por mês em solo nacional. Conforme Secco, a droga era trazida de países como Bolívia, Peru e Colômbia, descarregada em fazendas na região de fronteira entre Mato Grosso e Pará e transportada em caminhões até o Estado de São Paulo.
Do Sudeste, parte do produto era encaminhada para o porto de Santos e o restante distribuído para o consumo interno de facções criminosas no Brasil. Há indícios de que parte da cocaína também era levada até portos de Santa Catarina. Aviões de pequeno porte também eram utilizados no transporte.
Durante os anos em que permaneceu foragido, Luiz Carlos da Rocha fez plásticas faciais e possuía duas identidades falsas com os nomes de Vitor Luiz de Morais e Luiz Henrique. De acordo com o delegado, equipes da PF acompanharam o dia a dia de pessoas ligadas ao traficante. “Investimos em catalogar a vida dessas pessoas, catalogar as viagens que essas pessoas faziam e os locais que elas frequentavam na expectativa de chegar ao Luiz Carlos Rocha. Tivemos diligências não só no Brasil, mas em solo americano, europeu e na América do Sul. Sabíamos da identidade falsa, mas não sabíamos o novo nome e nem a aparência. Em nenhum momento, durante a investigação, os policiais tiveram contato com o traficante”, destacou.
Após mapear imóveis, veículos e outras informações, imagens das pessoas ligadas ao traficante chamaram a atenção. “Quando a gente vai organizar uma operação, nós colocamos essas fotos em painéis e em computadores para catalogar o material. Num dado momento, estávamos com a foto dele no centro analisando como a investigação se desenvolveria e olhamos a foto da pessoa identificada como Vitor. Mandamos o material para o Instituto Nacional de Criminalística que fez laudo de reconhecimento facial que comprovou que eram a mesma pessoa”, detalhou o delegado. Cabeça Branca foi preso no último sábado na cidade de Sorriso (MT) enquanto ia a uma padaria.
Outro homem que seria o braço direito de Rocha foi preso preventivamente em Londrina. Imóveis de luxo, também em Londrina, são de propriedade de familiares do traficante. “Já pedimos o sequestro de alguns imóveis e vamos quebrar o sigilo fiscal e bancário”, informou Secco. Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão em cinco imóveis de luxo. Dos três mandados de condução coercitiva dos familiares, dois foram cumpridos pela PF. A terceira pessoa não foi localizada.
“A cidade de Londrina é apenas onde ele viveu e onde vivem os familiares. Ele nasceu em Uraí, mas vivia em Londrina. A cidade não era rota. O esquema dele era internacional. Ele é o traficante mais procurado da América Latina”, explicou o delegado. Luiz Carlos da Rocha foi preso por tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, associação para o tráfico, falsificação de documentos públicos e privados e organização criminosa.
“A PF combate o tráfico de drogas desarticulando grandes organizações criminosas internacionais que têm a capacidade de internalizar em solo nacional toneladas de cocaína e não simplesmente com a apreensão de caminhões e prisão de motoristas sem que haja uma investigação por trás disso para que se chegue aos líderes das organizações criminosas”, ressaltou o delegado.
O patrimônio sequestrado na primeira fase da operação é de, aproximadamente, US$ 10 milhões. A expectativa da PF é que o patrimônio total adquirido por Luiz Carlos da Rocha seja de até US$ 100 milhões.

fonte: Folha de Londrina

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