A Menina das Flores

Oi gente, um forte abraço. Nosso ultimo texto foi “O Retrato da Vida”.

Veja agora nossa nova mensagem.

 

Quênia, essa mocinha era conhecida por todos como a menina das flores. Porque todos a chamavam de menina das flores? Simples, desde criança a garota vendia flores. Perdeu o pai com onze anos de idade e começou a vender flores que sua mãe e sua avó cultivavam na chácara onde moravam. A única herança que o Sr. Willians deixara, e as necessidades obrigaram-na a vender flores por toda a cidade.

A chácara também era por todos conhecida como chácara das flores, por causa do imenso plantio que ali era cultivado.

O lugar ficava longe da cidade, mas com o passar do tempo o novo bairro que tinha por nome Veneza foi crescendo só com mansões luxuosas e se transformando num bairro nobre, suas belas mansões chegaram bem pertinho da chácara das flores, a última rua do bairro era a divisa de onde morava a menina.

A jovem moça levantava ao clarear do dia, regava suas plantações e depois saía com duas cestas de flores, caminhando pela rua,ora apertava a campainha ora batia palma ,acionava o interfone, e oferecia suas flores.

A mocinha possuidora de uma beleza natural, aquela beleza que só Deus pode dar a uma pessoa, ocultava esses encantos aos olhos das pessoas, não aparentava ter nenhuma sensualidade para os homens, era bem pobrezinha e nunca pode se vestir com elegância para mostrar a tão singela formosura; nunca fora a um salão de beleza, nunca entrou em uma loja de modas. Suas vestimentas não passavam de um vestido já bem surrado e bem desarrumado em seu lindo corpo, nada que destacasse aqueles encantos naturais. Nunca teve um sapato de luxo, andava de chinelos ou com um sapatinho bem simples. A menina das flores nunca passou uma maquiagem em seu rosto angelical, seus lindos cabelos negros e longos estavam sempre enrolados e escondidos debaixo de um boné bem vermelho que ela usava com a aba para frente, o que tratava de esconder ainda mais aquele sorriso luminoso e aqueles olhos brilhantes. Quênia em sua pureza não tinha vaidades, todos que compravam suas flores se não diziam ao menos deviam pensar consigo mesmos: “moça quanta doçura e pureza carregas nesta face angelical!”.

Ninguém conhecia sua beleza exterior, mas a interior, ah esta todos viam, ela sim, deixava as pessoas emocionadas e tocadas por conta de sua bondade, do seu amor e pela simplicidade em seu jeito de viver. Ela, Quênia, a menina das flores, chamava a atenção devido ao seu jeito singelo de viver e lidar com as pessoas. Veja, o seu jeito era mais ou menos assim:

Quando na porta da sala aparecia um homem ela dizia assim: “rosa vermelha, cravo, jasmim, margarida, violeta e camélia, lírios coloridos e rosa amarela, compre seu moço, e dê de presente a ela!”

Quando aparecia uma mulher ela dizia: “rosa vermelha, margarida, rosa amarela e lírios coloridos, compre minha senhora, enfeite a mesa de sua sala de estar, e deixe o doce aroma encantar quem em sua casa entrar!”

E assim ela vendia suas flores pelas ruas, vendia na praça, para os casais de namorados e voltava feliz para sua casa. E a renda obtida com as vendas entregava a mãe, colaborando com a manutenção da casa e, melhor ainda, de uma forma que a fazia totalmente feliz e realizada. Quênia… Quênia… uma flor que vendia flores!

 

Bairro Veneza

Esse bairro foi loteado pelo empresário mais conhecido da região, o Senhor Takeshi e seu grupo de construtores, entre eles Fujimori, Narada, Takahara, Dida, Aroldo, Minora e Ruan.

Rua Zilda Lopes, essa era a rua que separava a chácara do nosso bairro, bem na esquina a única casa dessa rua que ficava a cerca de cem metros da casinha de madeira onde morava a menina das flores. Essa linda mansão da esquina era do Senhor Jorge Alcântara Camilo, ali ele morava com sua esposa Ester. Jorge era um grande empresário dono de uma rede de lojas, era por todos conhecido como o rei da moda. Era esse rico empresário que realizava os eventos sociais da moda na região, onde tinha um desfile de modas, lá estava o Senhor Jorge e as suas modelos.

Segunda-feira, vinte e cinco de maio, Quênia está passando em frente ao casarão da esquina com suas cestas de flores e a empresária diz ao empresário:

– Há tempos que eu observo essa moça, desde que mudamos aqui eu noto que ela é uma menina de muitas qualidades, parece também muito esforçada, trabalha de cedo até de tardezinha.

– Eu também tenho notado há tempos essa menina, sempre a vejo passar por aqui com flores em duas cestas para vender, pelas ruas oferecendo nas casas, já vi até na praça vendendo flores para os casais, ela me parece ser uma moça realmente de muitas qualidades.

Alguns dias se passam e novamente Seu Jorge e Dona Ester estão na varanda e a menina está passando com as duas cestas vazias, a empresária a chama:

– Olá mocinha, chegue aqui na varanda!

O portão já está aberto e a menina entra de cabeça baixa mostrando muita humildade e Ester faz a pergunta:

– Qual é o seu nome minha filha?

– Eu me chamo Quênia, mas todos me conhecem como a menina das flores.

– Você vende flores não é?

– Sim senhora, eu vendo flores para ajudar no sustento de minha   casa, perdi o meu pai com onze anos e a partir de então me dediquei à venda de flores com auxílio de minha mãe e de minha avó, que são responsáveis pelos jardins; acabei fazendo o papel de meu pai, mas minha mãe continua dando as ordens (risos).

A resposta da moça deixa o casal emocionado.

– Sempre a vemos passar por aqui, porque nunca nos ofereceu suas flores?

– Eu nunca parei porque vejo em volta de sua casa um lindo jardim com flores tão belas, esplendorosas…

Ester sorri:

– Não minha filha, suas flores são diferentes dessas que tenho em meu jardim, eu não tenho as acácias, camélias, epoméias, rosas amarelas, não tenho lírios, eu gostaria sim de comprar suas flores.

– Sendo assim, da outra vez que eu passar lhe oferecerei minhas flores.

– Eu e o Jorge vamos te esperar viu?!

– Sim senhora, e eu virei!

E assim os dias foram se passando e a rica empresária sempre comprava muitas flores da menina, estava comovida e queria       lhe ajudar. Dona Ester estava encantada, nunca tinha visto tanta pureza em um único ser, estava amando a menina das flores. Foi em uma sexta-feira quando ela estava sentada em sua imensa varanda que fazia volta em seu casarão, a menina estava passando e ela a chamou e lhe disse essas palavras:

– Sente-se um pouco minha filha, não repare por eu estar lhe chamando de minha filha, eu sempre quis ter uma menina, mas Deus não me deu esse presente, e filhos Quênia, são dádivas divinas; e eu não fui contemplada. Quênia me diz uma coisa, quantas vezes por semana você sai para vender flores?

– Eu vendo segunda, quarta e sexta-feira e às vezes vou à praça aos domingos oferecer para os casais que estão por ali.

– E nos outros dias? Terça, quinta e sábado, o que você faz?

– Eu me ocupo ali na chácara, ajudo minha mãe e minha avó nos canteiros de flores, ajudo na casa, passo o dia sempre fazendo alguma coisa.

– Eu estou precisando de uma diarista para limpar a casa duas vezes por semana, você não quer vir trabalhar aqui? Eu te pago uma boa diária.

– Acho que seria bom, o que eu ganho com as flores ás vezes é pouco, minha mãe vai gostar, isso vai nos ajudar muito.

Chega então o primeiro dia em que a menina das flores vai trabalhar na casa do casal de empresários. Sua mãe lhe dirige essas palavras:

– Minha filha, você tinha onze anos quando o seu pai morreu, hoje você tem dezesseis pra dezessete e até então o seu único trabalho foi vender flores; agora vai trabalhar em uma casa de granfinos, eu sempre te ensinei a limpar bem uma casa, mas minha filha, casa de gente rica é outra cultura, eles observam tudo de um jeito diferente da gente que é pobre, casa de gente rica tem objetos de valor, os móveis são de luxo, tem muita fartura, coisas boas na geladeira, eles gostam de tudo bem feito, tenha cuidado, não mexa em nada e faça tudo com amor porque eles vão te observar. Não se esqueça disso minha filha.

Terça-feira, dezessete horas, esse foi o primeiro dia que a menina das flores trabalhou na casa de Dona Ester e seu Jorge, a riquíssima empresária estava toda feliz com a nova empregada, ela lavou a calçada e depois chamou a patroa para ver e perguntou:

– A calçada está bem limpa, está bom assim? Se não tiver eu lavo de novo senhora.

– Minha filha, a calçada está ótima.

A menina das flores arrumou as cortinas em todas as janelas da bela mansão e chamou a patroa para ver e perguntou:

– Está bom assim? É assim que a senhora quer? Se não estiver bom eu arrumo de novo Dona Ester.

A mulher responde toda satisfeita:

– Está ótimo minha filha, está do jeitinho que eu gosto.

A menina, agora a nova empregada da mansão, lustrou todos os móveis com carinho, fazia tudo bem feito e sempre achava que não estava bom, era muito humilde, e tudo o que fazia perguntava se estava do agrado. Ela tinha a virtude da docilidade, era dócil por natureza.

Seis meses já se passaram, o casal está amando a menina como uma filha. Quinta-feira, cinco horas da tarde Quênia está indo embora, já está saindo pelo portão e a patroa lhe chama de volta. Quênia, sente-se aqui comigo na varanda, eu quero conversar com você um instante.

E a moça sentou-se ao lado da patroa e ouviu essas palavras:

– Quênia, sábado eu vou te levar lá na loja e vou te dar de presente a roupa que você quiser escolher, venha aqui em casa nove horas tudo bem?

– Sim, eu virei no sábado nesse horário.

E no sábado às onze horas lá na loja que fica bem no centro da cidade, na Rua Igor esquina com a Rua Horácio Ucho está a matriz do seu Jorge bem ao lado da imobiliária do Senhor Marcelo Ferreira. Ali na loja estão Quênia e Ester, escolhendo as roupas, as duas escolheram várias peças e depois Ester diz pra ela escolher três pares de sapato, e em seguida vão para o carro e seguem até o casarão.

– Agora Quênia você vai entrar no quarto e tirar essa roupa surrada que você sempre usa, vai soltar esse cabelo que eu nunca vi solto,   coloque essa saia azul celeste com essa blusa branca, calce esse sapato que ele vai combinar perfeitamente com essa roupa.

A moça entrou no quarto e trocou suas vestes, calçou o sapato, enquanto Dona Ester sentada à sala espera pela menina. Minutos depois a porta se abre e a menina vem até a sala com os seus cabelos soltos caídos no ombro esquerdo, com aquela roupa linda, azul celeste misturada à pureza e harmonia do branco, o combinado perfeito daquele sapato de luxo, e seus cabelos negros e longos quase na cintura deixam a mulher maravilhada.

– Meu Deus, essa é a filha que eu queria ter, como você é linda Quênia.

Nesse momento chega o empresário com a sua BMW cor de vinho, entra na garagem, guarda o carro e vem pela lateral da casa, olha pela janela e vê a moça andando na sala sob o olhar da esposa, o homem fica pasmo, atônito diante de tanta beleza, exclama:

– Um anjo caiu do céu na minha sala.

E no momento já imagina e fala consigo mesmo:

– Essa será a minha nova modelo!

O casal então conversa com Quênia e pergunta se ela quer fazer um curso para ser uma modelo, ela diz que sim, mas teria que conversar com a mãe e com a avó primeiro. O casal então pede pra que ela traga a família na terça-feira quando ela vier trabalhar. Na terça estão ali na sala do casal Dona Hilda e Dona Yuri, e Quênia. Ester então diz para Hilda:

– Nós, Jorge e eu, queremos que sua filha faça um curso de modelo, será por nossa conta, e assim que ela passar a trabalhar ganhará muito dinheiro e poderá até ficar famosa Dona Hilda. O que a senhora acha?

A mãe e a avó da menina não mostram muito interesse. Seu Jorge então lhes diz que a moça terá toda garantia que nada de mal vai lhe acontecer e dona Ester conclui, fica pensativa.

– As senhoras podem ficar tranqüilas, porque eu vou cuidar dela como se ela fosse minha filha.

– Sendo assim, eu aceito a proposta. – responde a mãe da menina.

CONTINUA….

Jair Padeiro 12/05/2017

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18 Comentários para “A Menina das Flores”

  1. Lenita R.

    Aguardo a continuação, não teve suspense dessa vez… fiquei meio viajando na história… li duas vezes pra ver se não deixei passar nada..
    como funciona o texto de duas partes, o senhor escreve a metade e coloca e depois termina de escrever o restante? deve ser muito difícil fazer assim, ter que dar continuidade sem poder alterar nada do que ja foi escrito.. o senhor é um gênio!

  2. Rosenita Abrantes

    que foto mais linda

  3. Professora Amanda

    Outro belo texto!
    Só gostaria de dar uma dica, se utilizar-se menos dos detalhes de dias e horas, quando a pessoa está lendo e aparece uma data ou horário no texto trás consigo a impressão de que seja algo importante, e isso tira a atenção do conteúdo da história, isso levando em conta que no caso as datas e horários podem ser dispensados.
    Parabéns pela belíssima obra! Devo dizer outra vez que se fossem histórias mais curtas eu inclusive utilizaria para aplicá-los a meus alunos do fundamental, a forma simples de escrita se encaixa muito bem e há diversas formas que posso trabalhá-los em atividades.
    Abraço.

  4. Ruan Carlos

    Rapaaaaaaaaz, agora que eu parei pra pensar, seu Jair disse que ia citar nomes dos leitores, olha eu ali no grupo de construtores kkkkkkkkkkkkk
    até nos textos do seu Jair eu mexo com isso kkkkkk
    vlws Grande Seu Jair!

  5. Aldo Henrique Martins dos Anjos

    Belíssima crônica do Seu Jair, seus novos textos são histórias encantadoras que dariam ótimas novelas! É verdade que pouco tempo atrás sua forma de escrita era diferente da atual, mas assim como as árvores mudam durante as estações, um escritor também se adapta as ÉRAS e as PESSOAS.
    O novo modo de escrita do Senhor Jair vem agradando o público interessado de uma forma bem diferente, a interação por contar histórias que podem ser consideradas do cotidiano tornou-se maior.
    Não estou dizendo que ele jamais escreverá outro texto reflexivo ou narrativo, apenas que no momento esta forma esta forma de escrita é do agrado da maioria.
    Quanto ao conteúdo desta nossa nova história em questão, com toda certeza vocês vão se surpreender com a parte 2 que está por vir!
    Eu já vi em primeira mão e garanto que contará com muita emoção! Digno do final de um filme de drama!
    A construção de um conteúdo, a forma de elaboração e o tempo que se leva para escrever, reescrever e corrigir uma história é definitivamente grande. Ao preço de que uma única história demora semanas até se tornar elegível.
    Eu, como a grande maioria dos leitores do site Uraionline reconheço a enorme dedicação que o Senhor Jair Garcia Martins tem para com todos, neste belíssimo trabalho que tem como recompensa únicas nossas palavras de sentimentos e gratidão.
    Emocionar e entreter o leitor é o único objetivo do poeta!
    Há anos nos contemplando com suas obras que remetem desde a atualidade até aos tempos do Barroco! Espero poder sempre estar acompanhando essa trajetória de um dos poucos escritores de minha querida terra natal!
    E lembrem-se, reflexão não se encontra só em textos! Cada gesto, cada ato, cada palavra deve ser refletida diversas vezes!
    A vida nos ensina lições preciosas todos os dias, mas há aqueles que olham e aqueles que enxergam.
    Abraço a todos!

  6. Rochelle Lemes

    É um texto muito simpático, é facil notar como o seu jair é humilde e gosta muito da simplicidade, bonito trabalho seu Jair!

  7. Maicon Will

    Realmente seu Aldo, deve ser muito trabalhoso fazer um trabalho desse porte com tanta frequência, não queria ser mau interpretado em meu comentário anterior, a obra em si é realmente boa, eu simplesmente gostava, pessoalmente, mais das reflexões que fazia-nos pensar.

  8. Bruna Marcelina

    Como o comentário acima, eu gostaria de dizer que eu entendo a beleza do texto, e não só olho sem ver enxergar. É na simplicidade e nas belas ações que estão toda a poesia!

  9. Maria Cecília

    É um texto muito bonito, eu fiquei encantada como a moça foi retratada, com toda inocencia dela.. Vou esperar ansiosa pela segunda parte..

  10. Alberto Carlos

    Ansioso pela continuação do texto, estou brm curioso quanto ao desfecho.

  11. Rosenita Abrantes

    Eu nunca tinha parado pra pensar no assunto, e realmente seu Jair é o único escritor de Urai que eu conheço. É um patrimônio vivo desta cidade.
    #Saudads de Urai

  12. Luis borges

    Adorei o texto, coisa incrível mesmo, também me recordo dos textos antigos, e como o amigo acima citou no comentário acho que as novas crônicas estão se adaptando as pessoas que acompanham seu trabalho, afinal de contas é mais fácil entender uma história do que uma reflexão, logo, maior público pode ter interesse em ler. Continue com o belo trabalho jair!

  13. Rockstore

    Um pouquinho mais de pimenta na história e fica zuuum. O comentário do seu aldo ai em cima me deizou curioso. Solta a continuação pra gente seo jair

  14. Panificadora Procopense

    Lindo texto’!!! Adoramos, pena que não está inteiro. Quando sai a continuação? Abraçoo!!

  15. Liliane Amun

    É gostoso demais acompanhar um site onde o próprio escritor está presente em suas postagens, onde os textos vem com todo o seu sentimento! Aguardo o restante desta obra, incrível!

  16. Klaus Herb

    Fabulous, on my conception. I see n it feels good, I translate and how curious is it. I want the second part. Witing for…

  17. Quenia

    Muito honrada por ter meu nome nesse maravilhoso conto. Não sei como agradecer, estou me sentindo homenageada. Muito obrigada.

  18. Takeshi

    Que fantastica história, principalmente por ter meu nome nela. Sempre acompanhei o seu trabalho e a sua obra, isso é fantástico. Superou minhas espectativas Jair. obrigado.

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