Mundo Colorido

1005592_209536682534716_1162654331_nOi gente, um forte abraço. O nosso último texto foi “Amor de Estações”. Veja a nossa nova mensagem.

Vinte e quatro de maio, dezesseis horas e vinte minutos; eu estava dando os retoques finais em um carro, era uma sexta-feira para terminar o serviço eu precisava de uma peça, fechei a oficina e fui até a loja de acessórios comprar o que precisava, vinha bem devagar andando pela calçada já com a peça em minha mão, um pouco mais a frente vi uma cena que me comoveu, era um rapaz tentando a força colocar uma moça em seu carro. Me aproximei e perguntei para a jovem que gritava por socorro. “O que está acontecendo?”. Essa foi sua resposta, “Esse homem quer me colocar em seu carro a força”. “Ah, é isso então rapaz? Se você não deixá-la em paz eu chamo a policia, ou eu mesmo posso resolver essa situação”. O moço não reagiu, saiu em disparada.

A jovem chorava muito, escondendo o rosto nos cadernos. “Não tenha medo senhorita, eu só quero lhe ajudar, qual é o seu nome?”. “Eu me chamo Juliana”. “Vejo que está com alguns cadernos e alguns livros em suas mãos, vem da faculdade?”. “Sim, eu estou vindo da faculdade”. “Meu nome é Roberto, se você não se incomodar eu posso lhe acompanhar em sua caminhada, é claro, se você se sentir bem com minha presença”. “Não, eu não vou me incomodar, de modo algum, porque assim fico mais tranqüila”. “Deixe-me levar o seu material, vejo que você está muito abatida”. “Ah sim, é muita gentileza da sua parte”. “Sua faculdade é longe?”. “Não, daqui nós podemos avistá-la”. Apontando a mão me mostrou. “E a sua casa é longe?”. “Não, fica a seis quadras daqui, a minha caminhada da faculdade até minha casa da no máximo uns mil metros”.

E assim caminham juntos Roberto e Juliana pela calçada sem nenhuma pressa. Em alguns momentos alguns sorrisos em outros o silencio, só o silencio e uma troca de olhares.

“Porque você faz essa caminhada a pé?”. “Caminhar é uma recomendação do médico para mim e esse lugar não é perigoso, aquele moço deveria estar drogado, nunca antes nada de ruim me aconteceu”. “Eu vejo que você é mecânico pois está com uma roupa de oficina”. “Sim, sou um mecânico, um moço pobre, nunca pude ingressar em uma faculdade sempre tive que trabalhar muito para sustentar a casa, meu saudoso pai era muito doente, minha mãe também já se foi e me deixou saudades. Moro sozinho não muito longe da sua faculdade”.

E finalmente os dois estão passando em frente a uma bela mansão e a moça para “É aqui que eu moro”. “Nossa Juliana, essa é a sua casa?”. “Sim, porque você está assustado?”. “Meu Deus, que casa linda, que mansão imponente Juliana, você é muito rica, o que que eu estou fazendo aqui com você?”. A moça da um lindo sorriso e coloca a mão no ombro de Roberto e diz olhando em seus olhos com uma humildade que comove o rapaz. “Que isso Roberto, rico e pobre são iguais, todos são filhos de Deus”. “Você deve ser muito feliz, morando nessa bela casa”. “Felicidade é outra coisa, não é riqueza que vai trazer sua felicidade ou a pobreza que impedirá você de ser feliz. Felicidade é algo que nasce do amor que temos em nossos corações Roberto”.

E nesse momento surge um carro extremamente luxuoso e entra na garagem. “Aquele é o meu pai”. E no momento um cidadão ricamente vestido vem ao lado. “Oi pai, esse é Roberto, ele, esse moço me livrou das mãos de um homem que queria me colocar no carro a força”. Que Deus te abençoe meu jovem, por ter ajudo a minha filha, vamos entrar, tomar uma bebida, conversar um pouco”.

“Desculpe, mas eu preciso ir embora”.

“Tudo bem, eu lhe agradeço novamente, sinta-se a vontade”.

Dizendo essas palavras seu Otavio sai e deixa ambos sozinhos.

“Roberto eu quero te ver mais vezes, vai La na faculdade segunda-feira me buscar, eu vou te esperar”. Os dois se despedem e o moço está encantando pelo modo que foi recebido por seu Otavio e também fascinado por Juliana.

Segunda-Feira, dezesseis horas, lá está Roberto no portão da faculdade, a moça chega e os dois caminham juntos, mas não vão de imediato para a bela mansão onde mora Juliana, vão dar um passeio, andam pela cidade e depois vão a uma sorveteria e em seguida rumam em direção a uma praça e ali ficam por duas horas e vinte minutos. A moça não tem pressa de ir embora, seus pais já sabiam que o horário da chegada nesse dia seria outro. Roberto idem, também não tem nenhuma pressa de sair de perto de Juliana.

Os dois estão felizes, brincam, sorriem como duas crianças. Já está anoitecendo é o momento de irem embora, Roberto pede pra moça fechar os olhos, vai até o maio do jardim e apanha duas rosas vermelhas e coloca nos cabelos de Juliana. “Agora você pode abrir os olhos, o que é que você tem em seu cabelo?”.

A moça passa a mão e diz “São duas flores”. Roberto desliza as mãos nos cabelos longos e negros de Juliana e tira as duas flores e coloca nas mãos da moça. “Roberto, rosas vermelhas são as flores que eu mais gosto”.

O mecânico pede o caderno de Juliana e vai folheando lentamente e desfolha também uma rosa e coloca em cada folha do caderno uma pétala da linda flor.

“Essa flor você vai levar para escola sem que ninguém perceba e essa outra você vai colocar em um vaso e enfeitar sua linda sala”.

O coração de Juliana está transbordando. Nas horas que o casal ficou ali, nenhum beijo ou abraço foi visto pelas pessoas que por ali caminhavam, apenas risos e felicidades. Esse foi o segundo encontro de Roberto e Juliana, a moça sempre viveu em meio à alta sociedade, estudou nas melhores escolas, mas nunca conheceu um moço tão amável como Roberto.

Vinte e sete de maio segunda-feira dia de aula o rapaz não consegue esquecer aquele encontro, não dorme, não consegue trabalhar com atenção no que faz, sói pensa em Juliana, mas quer evitar um novo encontro, os dias se passam trinta de maio já é quinta-feira três horas e dez minutos o telefone toca é Juliana. “Oi Roberto, amanhã já é sexta e já fazem oito dias que nós nos conhecemos e você não veio nem um dia pára me levar até a minha casa, por todos esses dias eu te esperei”. “é que eu ando muito ocupado, não tenho tempo para sair da oficina Juliana”.

“Será tempo mesmo ou você não quer mais ser meu amigo?”. “Não, não é isso, bem que eu gostaria mas eu não posso, eu não devo ser seu amigo Juliana, eu já sofri muito e não quero mais sofrer, não quero mais sonhar com algo que não é para mim”.

E assim foi vários telefonemas mas Roberto não ia se encontrar com a moça. Motivos: mundos diferentes, medo de sofrer, as lembranças de um antigo amor que lhe trouxe muita dor por ele ser pobre. Um romance que terminou sem ter um adeus. Patrícia foi o seu primeiro amor, era uma moça rica que também amava Roberto mas não teve a permissão do namoro e foi levada para longe e o moço nunca mais pode vê-la. Por todos esses motivos o mecânico queria evitar um novo relacionamento amoroso com Juliana que era também uma moça rica.

Quatro de junho Roberto está trabalhando e o telefone toca novamente é Juliana “Oi Roberto tudo bom com você?” por todos esses dias após a aula eu te esperei, mas você não apareceu, amanhã eu vou novamente te esperar, talvez essa será a minha ultima vez que eu te esperarei, lá naquela praça perto da faculdade, as quatro e meia, não esqueça, precisamos conversar”.

E no horário marcado por Juliana, lá estão juntos Roberto e Juliana após vários dias e vários telefonemas. “E Roberto por todos esses dias eu te esperei pra você me levar até a minha casa, mas você não apareceu”. “Juliana, eu não devo mais me encontrar com você, pobre e rico não da certo Juliana, eu não devo ser seu amigo, você deve ser amiga de um moço rico, Juliana você é uma moça já quase diplomada, uma linda mulher, inteligente, meiga e muito bondosa, eu Juliana sou um caboclo, um simples mecânico, sou um homem pobre você deve se casar, Juliana com um moço rico, eu nunca poderei te dar felicidades”. “Você não é pobre Roberto ai dentro do seu coração tem uma imensa riqueza”. Eu sei que você gosta de mim e eu também gosto de você Roberto já é hora de assumirmos essa realidade. Eu não preciso de riqueza Roberto a riqueza meu pai já me deu, a sua fidelidade, o seu amor será a minha maior riqueza, Roberto a maior riqueza que um homem poder dar a uma mulher é o amor e a fidelidade”. “Algumas lagrimas serenas deslizam pela face de Roberto e Juliana. Um abraço e o primeiro beijo, as arvores, os pássaros e as flores presenciaram um lindo amor que estava nascendo em dois corações.

Cinco de junho nesse dia iniciou-se um relacionamento afetivo entre Roberto e Juliana. Dias depois o jovem é levado pela moça para que ele conheça melhor a sua família.

Roberto é recebido com muito carinho pela família, mãe e pai, Otavio e Helena. O namoro tem total aprovação. Porém, deve ser com muita seriedade, Juliana era filha única e muito amada por seus pais.

Dois anos se passaram, a felicidade inundava os corações de Roberto e Juliana, o mundo era colorido de azul e rosas, tudo era felicidades.

Finalmente chega o dia do casamento os dois se casam e vão morar na casa onde Roberto sempre morou com seus pais. Juliana não tinha vaidades era uma moça com pureza em sua alma e não exigiu de Roberto uma casa de mais conforto. Era feliz vivendo ao lado de Roberto naquela casa pobre.

Três anos se passaram os dias pareciam voar e os dois viviam como se ainda estivessem em plena lua de mel, em um mundo colorido.

Quatorze de agosto, esse dia porém começaria uma nova historia na vida do casal.

A oficina está fechada apenas a porta do fundo está aberta, o mecânico esta limpando o almoxarifado bem distraído quando para um carro no pequeno pátio em frente sua oficina, para ele tudo normal, e continua limpando o cômodo que está bem bagunçado. O rapaz vira o corpo para pegar um objeto e se depara com uma cena que parece não ser real.

AGUARDEM A SEGUNDO E ÚLTIMA PARTE EM BREVE!!!

Jair Garcia Martins – Jair Padeiro

31/12/2015

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34 Comentários para “Mundo Colorido”

  1. Takeshi

    Mais uma vez surpreendendo hein Jair. Não vejo a hora de ler a segunda parte. Feliz Ano Novo!

  2. Marcelo Ferreira

    Simplesmente Fantástico. Bravo!!!

  3. Ana Marcela Zerbinatti

    Nunca havia lido um texto tão imersivo, adorei, não aguento de curiosidade de ler a segunda parte. Parabéns ao autor.

  4. Batista Amaral da Silva

    É de arrepiar. Lindo demais. e que venha a última parte.

  5. Carlos Santana

    Sem palavras

  6. Durval Lima e Souza

    Que romantismo, fantástico, adorei.

  7. Hélio bicudo

    Hiper, super, mega interessante. Não vejo a hora de ler o resto. parabens

  8. Eliane Ferreira

    Grande conto, só quem tem um coração romantico sabe escrever mesmo.

  9. Valquiria Apl

    Sou fã de seus textos, agora fiquei mais ainda. muito lindo. e que venha a parte mais decisiva

  10. Junior Souza

    Amei.

  11. Rita Delaquia

    Sem palavras, só quero ler a segunda parte logo…

  12. Yamaguchi

    Sentia falta de ler textos tão belos. parabéns ao autor.

  13. Paulo Vela

    Grande Jair, sempre nos fazendo chorar.

  14. Francisco Sakai

    Belissimo conto, não vejo a hora de ler o resto. vou imprimir

  15. Francisco Sakai

    aah o nosso amor, coisa difícil de se descrever né?! Muito lindo.

  16. renata

    Super romantico

  17. Eric

    Sou amante da literatura e de seus texto.

  18. Narada

    Fantastico.

  19. Milton Bola

    Gostei demais.

  20. Serra Morena

    Adorei,. não vejo a hora de terminar.

  21. Jorge Velho

    Parabéns

  22. Julio Dantas

    Gostei demais jair.

  23. Berenice Bark

    Posta logo a final.

  24. Yuri

    Sensacional!!!

  25. Luiz Antonio Geraldi

    Meus parabéns.

  26. George Pig

    Gostei, não vejo ahora de terminar de ler.

  27. Axl

    Sou amante da literatura e sinceramente, nunca em meus 44 anos havia lido algo tão tocante. Por gentileza, poste logo o resto.

  28. docky

    Parabéns, mitou.

  29. Beth Dias

    Abraços ao autor.

  30. Fox

    Fenomenal, parabéns, termine logo por favor.

  31. Julio

    Muito forte e romantico.

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